Como você gerencia suas emoções no trabalho? (3ª Parte)

Autocontrole

© Depositphotos.com / AndreyPopov

Nessa etapa irei mostrar a importância do autocontrole perante as tempestades emocionais que podemos nos deparar durante a nossa vida, bem como conduzir de forma inteligente os excessos emocionais, pois o que precisamos é da medida certa de emoções diante de determinadas situações, pois quando nos descontrolamos ao extremo a possibilidade de “sabotar” a sabedoria de certas decisões pode lhe proporcionar um caminho sem volta.

O objetivo desse exercício é propor uma forma de buscar o equilíbrio, e não a eliminação das emoções, pois a contenção dos excessos emocionais pode permitir a você a qualificar e interpretar melhor o que ocorre ao seu redor, pois as nossas interpretações são influenciadas pelas nossas percepções de como associamos os acontecimentos. Não é uma situação em si só que determina o que as pessoas sentem, mas sim o modo como elas são interpretadas.

Imagine, por exemplo, uma situação na qual várias pessoas estão participando de uma palestra sobre planejamento de negócio. Elas têm respostas emocionais bastantes diferentes a essa situação, com base no que está passando por suas cabeças enquanto assistem. Por que isso acontece? Simples, porque a forma que cada pessoa interpreta irá desencadear um sentimento e, possivelmente uma ação voltada a certo grau de motivação despertada pela emoção.

Então, o modo como as pessoas se sentem está associado ao modo como elas interpretam e pensam sobre uma situação. A situação em si não determina como você sente, mas sua resposta emocional é interpretada por sua percepção. Você pode até estar ciente das suas emoções, mas sobre o pensamento é mais provável que as interpretem de forma errônea quando você não presta atenção.

Para entender melhor veja esse exemplo: ao dirigir alguém lhe ultrapassa perigosamente na estrada, se seu pensamento reflexo for negativo o pensamento pode ser acompanhado, “poderia ter causado um acidente e, automaticamente pode gerar ação perigosa diante do seu pensamento, “isso não pode ficar assim”. O seu estado emocional pode se mobilizar para a luta, você quer “chamar atenção do motorista”, então você buzina atrás, corre para alcançá-lo por que o motorista não parou e logo você explode de raiva. E sabe lá como pode ser o final da história.

Veja a sequência dos acontecimentos, na maioria das vezes quando estamos irritados ao extremo, saímos do controle, os sentimentos negativos não surgem sem motivo algum, embora raramente é um bom motivo, na verdade os sentimentos negativos impelem a mente inundando com argumentos mais convincentes para dar lhe razão.

O trem de pensamentos negativos pode alimentar sentimentos de raiva ou de mágoa. Veja esse exemplo: durante uma reunião o seu par aponta que não conseguiu fechar a venda e lhe responsabiliza sobre isso.

Aqui irei criar dois cenários fictícios diante da reação que você pode sentir ao ser apontado como o responsável de não fechar a venda:

  1. O seu interior energiza e exalta de raiva, o perigo agora pode ser assinalado pela condição física, num tom de voz elevado, ou um olhar “assassino” até mesmo se levantar e dirigir “cara a cara”.
  2. Você ameaçá-lo simbolicamente “horrores” mentalmente, e ao mesmo tempo, despertar sentimento de injustiça, por sentir-se humilhado e, concomitantemente você pode se fechar e ficar com pensamentos negativos por que a sua autoestima ou dignidade ficou “abalada”.

Essa percepção de gatilho gerado pelo surto de energia negativa pode durar minutos, durante os quais prepara você para uma briga, ou para uma fuga. As duas situações não são positivas fazendo uma avaliação de julgamento sem estar preparado para lidar de forma mais equilibrada e, acima de tudo, que não lhe sobrecarregue. A mente mais concentrada, tende lhe proporcionar soluções mais sabias, pois quando temos o sequestro emocional a chance de “perder” a nossa essência como pessoa pode disparar e gerar reações exageradas e, depois que a “maré baixa” você pode pensar: Por que fiz isto? Não era eu! Como posso ter agindo dessa maneira diante do meu chefe? O que ganhei com essa situação?

Quando estamos exaltados, uma coisa é certa, disparamos um sequestro emocional e facilmente pode explodir, como ir de frente para argumentar de forma feroz e raivoso promovendo uma ilusão de poder.

O poder do autocontrole para desinflar os sentimentos negativos é fundamental, o esfriamento nada mais, pode aplicar freios em você num momento crucial, ou seja, parar para pensar talvez seja uma alternativa segura e com os métodos de relaxamento como respirar fundo e relaxar os músculos, pode distraí-lo, mas um período de esfriamento não funcionará se esse tempo for usado para seguir com os pensamentos negativos, uma vez que esse pensamento por si pode disparar outros sentimentos negativos.

O autocontrole pode começar com a distração, com a intenção de parar os pensamentos negativos ou até mesmo furiosos, gerados pela irritação, pois ao se controlar a chance de começar a alimentar pensamentos mais saudáveis é o aconselhável nesse momento da qual a situação não é nada positiva. Essa estratégia é recomendada para pegar os pensamentos negativos e poder reavaliar, funciona como uma catarse, ou seja, se você efetivamente conseguir realizar o exercício de autocontrole com a intenção de “esfriar a mente” o sentimento de alívio pode lhe permitir a ampliar a sua percepção e tomar atitude com base mais controlada. Ao realizar esse simples exercício, você pode ganhar o crédito de se prevenir das situações tumultuosas e conflitantes que não requerem o desequilíbrio, e sim uma soma para solucionar e propor medidas plausíveis diante da sua atenção focalizada.

Até aqui fizemos um caminho do gerenciamento das emoções; no primeiro texto, o exercício da autoconsciência teve o objetivo de propor uma reflexão do seu “eu”, ou seja, acessar seus sentimentos de forma mais introspectiva e perceber como você reage. No exercício de autocontrole exige o esfriamento dos pensamentos negativos para adquirir o poder de ampliar a sua atenção e focalizar a situação sem se expor, sendo como um mapeador das suas emoções.

A chave para uma sabia tomada de decisão, em suma, é estar mais sintonizado com seus sentimentos, por isso, o treinamento constante do autocontrole é fundamental para lidar com as emoções, principalmente aquelas consideradas furiosas. Sem o autocontrole, você dificilmente conseguirá ter uma percepção clara do que ocorre com você, então estabeleça uma meta de se controlar. Mais como? Eis algumas dicas:

Numa reunião onde a conversa decisiva já perdeu o controle, nesse momento procure se posicionar melhor na cadeira com os dois pés alinhados no chão sem estar cruzado, alinhe a sua coluna de forma confortável e deixa os braços soltos, tome conta da sua respiração e tente inspirar bem devagar, ao “encher” o pulmão, aguarde uns segundos, e ao expirar faça lentamente, ou seja, quando “soltar” imagine uma bexiga, você “enche” e deixa “esvaziar”, mas faça esse processo o mais lento possível. Você também pode seguir esse processo de relaxamento em pé, com a intenção de se concentrar e organizar as ideias em cima do “esfriamento mental”.

Deu conta da respiração, faça no mínimo 3 vezes esse exercício e tente focalizar a sua mente, seja lá o que for que esteja acontecendo em sua volta, coloque um minuto a sua mente para relaxar, imagine algo que lhe proporcione um relaxamento e que por fim distraia a sua mente. Ao realizar essa simples técnica de relaxamento veja como você irá obter uma maior concentração, não impelindo a sua mente com sentimentos “cegos”, ampliando a sua percepção, propondo argumentos mais convincentes para dar lhe razão sem perder o controle.

 

Para refletir:

  • O que acontece com você quando está extremamente irritado a ponto de “explodir”?
  • O que você fez lhe deixou satisfeito?

 

Agora com o exercício do autocontrole:

  • Como você procura manter o seu autocontrole diante de uma situação negativa?
  • O que você fez lhe deixou satisfeito?

 

Até a próxima, com outras dicas importantes de como gerenciar as emoções.

 

Por: Luciane Rodrigues – Corporate Development and Personnel Manager – ERP Marketplace

 

Fontes Pesquisadas:

  • Jonh Writmore. Coaching para performance. 2012
  • Augusto Cury. Gestão da Emoção. 2015
  • Joseph Le Doux. O cérebro Emocional. 2011
  • Daniel Goleman, O cérebro e a Inteligência Emocional – Novas Perspectivas. 2012
  • Paulo Vieira. O poder da Ação. 2015
  • Daniel Fuentes, Leandro Diniz, Candida Camargo, Ramon Cosenza e colaboradores. Neuropsicologia: Teoria e Prática. 2008
  • Kerry Patterson, Joseph Grenny, Ron Mcmillan e al Switzler. Confrontos Decisivos. 2012

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